O que é planejamento escolar – Ensino fundamental

O estudo é algo fundamental para a formação dos jovens e crianças. O conhecimento é passado pelo professor que deve utilizar as suas ferramentas para ensinar os alunos a criarem novas possibilidades para a construção de novas ideias.

Ensinar nem sempre é tão simples quanto parece, pois este é um processo que não se resume apenas à sala de aula. É preciso estar sempre ciente das diferenças sociais e culturais de cada aluno e suas experiências.

Neste artigo vamos falar sobre o planejamento escolar, um dos principais recursos utilizados pelos professores do ensino fundamental para alcançar as suas metas de ensino.

O que é planejamento escolar

O planejamento escolar é um processo de organização e coordenação das ações do professor, criando uma melhor articulação das atividades escolares e contextos sociais. Ele está relacionado à possibilidade de mudar, transformar e gerar comprometimento e responsabilidade.

Um planejamento escolar deve ser simples, coerente e flexível. Procure entender os alunos, suas dificuldades e diferenças culturais para montar um planejamento personalizado para aquela turma. Isso é muito importante para tornar o planejamento escolar mais efetivo.

Ao montar o planejamento é preciso incentivar a reflexão sobre nossas ações e opções. Ao ensinar esse tipo de pensamento para os alunos, o professor ajuda os alunos a não ficar tão entregues aos padrões estabelecidos pela sociedade, criando assim cidadãos mais críticos e flexíveis.

Os itens essenciais de um planejamento escolar para Ensino Fundamental

O planejamento escolar não é apenas um documento burocrático. É um documento feito para guiar o trabalho que será desenvolvido junto com os alunos durante o ano.

Do planejamento escolar é importante constar os objetivos, conteúdos que serão abordados e estratégias. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, nele serão decididos os conteúdos que serão trabalhados.

Entretanto, a elaboração do documento não se resume apenas ao simples preenchimento de cada um dos campos. É preciso refletir sobre as melhores formas de abordar cada conteúdo, levando em consideração as opções político-pedagógicas docentes e a individualidade de cada aluno.

Avalie todos os fatores sociais, culturais, políticos e econômicos que envolvem a comunidade escolar para ter como referência situações didáticas concretas.

Veja a seguir alguns aspectos importantes que devem ser considerados na elaboração de um planejamento escolar para ensino fundamental:

Objetivos gerais – Nos objetivos gerais deve ser definido o resultado esperado no fim do processo. Se o objetivo do professor for incentivar a leitura, por exemplo, ele deve pensar em desafios propostos em relação à leitura.

Com um objetivo bem definido, é possível identificar as dificuldades básicas dos alunos e buscar soluções para elas. Além disso, analisando os objetivos gerais desse ano e o seu desempenho fica mais fácil pensar nos objetivos e fazer o planejamento no ano seguinte.

Conteúdo – Apesar da lista de conteúdos ser predeterminada, é possível estabelecer as prioridades com base no seu conhecimento e visão da disciplina. É possível adicionar conteúdo que considerar relevante e definir o tempo que será reservado para cada tópico ou conteúdo.

Objetivos específicos – Ao elaborar um planejamento, muitos cometem o erro de definir objetivos específicos de forma muito genérica, tornando o plano menos interessante e menos objetivo.

Defina objetivos específicos reais de forma que incentive o aluno a desenvolver o pensamento a partir do conteúdo que será ensinado. Utilize operações completas como comparar duas situações, resumir um texto ou fazer a análise de um problema.

Estratégias de ensino – Conseguir a atenção dos alunos não é uma tarefa fácil. Isso exige habilidade para explicar o conteúdo, ter carisma, senso de humor e saber ser flexível diante de diversas situações.

Entretanto, sem uma boa estratégia de ensino fica ainda mais difícil despertar o interesse dos alunos, reduzindo muito o potencial de uma aula.

Seja criativo e não se limite apenas ao que é presentado no livro didático. Apesar de os livros serem um guia para os alunos, é sempre bom trazer outras fontes de informação para enriquecer as aulas.

Crianças e adolescentes geralmente se sentem mais interessados nas aulas quando elas envolvem movimentação. Faça painéis, debates, seminários e atividades em conjunto para dar mais autonomia aos alunos e manter o interesse no processo de aprendizado.

Pode dar mais trabalho, mas ter essas quebras na rotina é muito bom tanto para os alunos quanto para o professor.

Avaliação – Antes de montar uma avaliação, procure sempre elaborar atividades durante as aulas que tenham diversos tipos de operações mentais.

Se você nunca pediu que os alunos fizessem uma comparação entre duas situações durante as aulas e na prova solicita uma, alguns alunos podem acabar tendo dificuldades.

Objetivos do planejamento escolar

Para elaborar um planejamento escolar efetivo é preciso conhecer os seus objetivos. O planejamento escolar deve ser como um guia de orientação para todos envolvidos no processo de ensino. Ele deve ter uma ordem sequencial e apresentar flexibilidade, objetivo e coerência.

Veja a seguir os principais objetivos de um planejamento escolar:

• O planejamento escolar deve garantir a organização e coordenação do trabalho de ensino, permitindo que o professor tenha uma base para dar uma aula de qualidade, sem necessidade de improvisar ou ser prejudicado pela rotina.
• Ele deve expor os princípios, diretrizes e procedimentos das aulas que tem como objetivo garantir uma boa articulação entre as tarefas da escola e as exigências de contexto social e a participação democrática.
• Através dos objetivos, conteúdos e estratégias, ele deve mostrar as ligações entre o posicionamento filosófico, político-pedagógico e profissional com as ações realizadas pelo professor em sala de aula.
• O planejamento precisa manter uma relação entre os objetivos, o conteúdo, os alunos, os métodos e as formas de avaliação para assegurar a unidade e a coerência do trabalho.
• Ele também deve facilitar o processo de preparação das aulas permitindo a seleção do material didático em tempo hábil, definindo o que deve ser executado pelo aluno e pelo professor e facilitando o replanejamento do trabalho em casos de situações imprevistas no decorrer das aulas.

O planejamento escolar deve ser sempre atualizado e aperfeiçoado. A medida em que é feito progresso em relação a conhecimentos e experiências cotidianas, é possível identificar pontos a ser melhorados no planejamento.

Essas atualizações também podem ser feitas para melhorar o desempenho daquele plano em uma turma específica. Às vezes o que funciona bem uma com turma pode acabar não funcionando tão bem com outra, é preciso estar aberto a fazer adaptações.

Como vimos neste texto, o planejamento escolar é algo fundamental para maximizar o potencial das suas aulas. Se você é professor e já teve experiência com o uso de um bom planejamento escolar no ensino fundamental, comente como foi a sua experiência.

A democratização da escola pública

As escolas públicas brasileiras caracterizam-se por serem constituídas predominantemente por crianças, jovens e adultos de classes populares. Ainda que o número de profissionais oriundos de cenários desfavorecidos tenha aumentado consideravelmente, algumas políticas públicas e comportamentos institucionais enraizados impedem que os estudantes vivam a escola como um espaço significativo de ampliação de conhecimentos e constituição de sua identidade pessoal.

Neste ano, tal configuração foi contestada, de maneira vigorosa, através do movimento dos estudantes secundaristas. Eles suscitaram não só a importância, mas como o debate em si, acerca da democratização da escola pública. Esta não deve ser vista como uma escola para as classes populares, mas uma escola de educação popular, que provoque os alunos e a comunidade escolar a indagar as relações entre essa mudança de perspectiva e a configuração da dinâmica pedagógica. Para que(m) serve o seu conhecimento?

Escolas públicas e o modelo de gestão democrática

Legalmente, a gestão democrática está amparada pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) sancionada no ano de 1996. Por meio de um conjunto de experiências, realizadas a partir das realidades locais e regionais no país, foi possível realizar um levantamento, permitindo uma análise das iniciativas adotadas.

A Constituição Brasileira e a LDB estabelecem a gestão democrática como o modo próprio de gerir as escolas públicas e os sistemas de ensino. Entre os princípios a serem observados estão:

1. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
2. Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
3. Pluralismos de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
4. Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
5. Valorização dos profissionais de ensino, garantindo, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado o regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União;
6. Gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
7. Garantia de padrão de qualidade.

Desdobramentos legais sobre a democratização da escola pública

Além da Constituição Federal Brasileira de 1988, diversas leis centradas na institucionalização de mecanismo de participação que garantissem a democracia e os direitos individuais, expandindo o conceito de cidadania e participação, foram sancionadas, entre elas a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 que no seu art. 14 estabelece:

Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público de acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I. Participação dos profissionais da escola no projeto pedagógico da escola;
II. Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

O Projeto Político Pedagógico como instrumento de democratização da escola pública

O Projeto Político Pedagógico (PPP) é uma ferramenta gerencial, que auxilia a escola a definir suas prioridades estratégicas e a convertê-las em metas educacionais, além de medir se os resultados foram atingidos e a avaliar o próprio desempenho.

É importante ressaltar que o PPP é diferente de planejamento pedagógico, pois aquele é um conjunto de princípios que norteiam a elaboração e a execução dos planejamentos, por isso, envolvem diretrizes mais permanentes, que abarcam conceitos subjacentes à educação, tais como: conceitos antropológicos, epistemológicos, políticos e morais.

A democratização da escola deve contemplar, portanto, a ampliação das oportunidades educacionais, a difusão de conhecimento com cunho crítico e a inserção do indivíduo em um projeto coletivo, visando à mudança da sociedade, independente do porte de tal mudança.

Ampliando o acesso: uma luta por direitos

Com o ensino fundamental e médio universalizado, a luta é para ampliar vagas para outras etapas da educação. De acordo com um documento elaborado em 2011, pela Conferência Nacional de Educação (Conae): “A democratização da educação não se limita ao acesso e à instituição educativa. O acesso é a porta inicial para a democratização, mas torna-se necessário também garantir que todos que ingressam na escola tenham condições de nela permanecer, com sucesso.”

Partindo do pressuposto que o padrão de gestão das instituições públicas se altera conforme a reestruturação do capitalismo, bem como suas crises constantes, torna-se evidente a disparidade entre teoria e prática.

Contraditoriamente, a gestão democrática está presente na legislação da educação, por conta da luta dos trabalhadores desta área, mas, se desenrola de forma muito tênue e embrionária nas escolas públicas.

É imprescindível que a sociedade exerça seu direito à informação e à participação, e que o governo comprometa-se com a consolidação da democracia. Faz-se necessário, portanto, o envolvimento de grupos sociais nas instituições, como o conselho escolar. Além de incentivar o trabalho coletivo, uma gestão de sucesso necessita também de conhecimentos sobre legislação e possuir valores como: ética, solidariedade, equidade e compromisso.

Conclusão

A democratização da escola pública, bem como a adesão a um modelo de gestão em tais moldes, não pode ser tida como um fim em si mesmo, mas sim como um vetor para uma educação de qualidade, retomando a função social desta. Propor uma revisão crítica dos conteúdos desenvolvidos no ambiente escolar é igualmente importante. Todos esses aspectos contribuirão, certamente, para a formação de indivíduos politicamente engajados e conscientes de si, ambos os fatores indispensáveis para o progresso intelectual e social de um país.

É fundamental observar as relações existentes entre o discurso hegemônico sobre democracia e as práticas existentes no contexto escolar, buscando diminuir a distância entre a teoria e a prática, entre o idealismo e o pragmatismo.

A adoção de uma abordagem qualitativa, firmada em pressupostos teóricos sobre o tema, pode proporcionar o estabelecimento de um diálogo com o cotidiano escolar, uma vez que cria vínculo preciso, adequando a teoria àquele cenário em particular.

Conclui-se a urgência com que se dá a participação dos sujeitos pertencentes à comunidade escolar, como um chamado para que assumam o seu papel enquanto cidadãos para transformar o “sonho” de democratizar a escola pública em realidade.

Fontes:

http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v27n71/a02v2771.pdf
http://www.efdeportes.com/efd176/gestao-democratica-na-escola.htm
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAe3dAAL/gestao-escolar-democratica-contextualizacao-tema?part=2
http://pedagogiadidatica.blogspot.com.br/2008/11/pedagogia-crtico-social-dos-contedos.html
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/3550/projeto-politico-pedagogico-a-identidade-da-escola
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/161/artigo234838-1.asp
https://www.posgraduacaoredentor.com.br/hide/path_img/conteudo_542b0f0f91e35.pdf
http://periodicos.ufsm.br/reveducacao/article/view/17236
http://www.upf.br/seer/index.php/rep/article/view/2028

Gestão escolar participativa

Um dos fatores mais importantes na hora de desenvolver e aperfeiçoar o nível de ensino em uma instituição é a gestão escolar. Mas o que é gestão escolar? Entenda esse conceito e a diferença que uma boa gestão escolar faz em uma instituição de ensino. Conheça e saiba mais sobre a Gestão Escolar Participativa e entenda esse conceito.

A gestão escolar é uma expressão relacionada à atuação que tem como objetivo promover a organização e mobilização das condições, tanto humanas quanto materiais, necessárias para conquistar avanço socioeducacional em uma instituição de ensino, para a melhor aprendizagem dos alunos. Ou seja, é a união de todos por um espaço melhor.

Em boa parte das instituições de ensino, a gestão escolar é participativa. Mas o que isso significa? O que a gestão escolar participativa tem de diferente?

O conceito

A gestão escolar participativa tem como principal característica uma força de atuação consciente dos membros, sejam professores, diretores e demais funcionários da instituição de ensino reconhecem e assumem seu poder de influenciar na decisão de como será a dinâmica nessa escola, da cultura e dos resultados.

O conceito de gestão escolar já presume uma participação de seus membros e colaboradores, mas na gestão escolar participativa esse envolvimento ganha maior destaque e importância. Isso porque o sucesso de uma instituição de ensino depende dessa ação construtiva feita em conjunto por seus membros, que compartilham uma vontade coletiva.

Por que participar da Gestão Escolar?

Contribuir com o melhor desempenho da gestão escolar onde você trabalha e estuda não será benéfico apenas para você e, sim, para todos que estão envolvidos nesse ambiente. Além disso, ter uma gestão democrática é essencial para um bom crescimento na qualidade de ensino.

Se os funcionários ou alunos não tiverem possibilidade e a abertura de tentar oferecer sugestões para os assuntos de âmbito escolar, a relação entre direção e eles será prejudicada. Claro que é preciso respeitar os limites de seus espaços, mas quando todos estão na mesma página e têm um objetivo em comum — o bem-estar geral —, toda ajuda é bem-vinda.

A participação é feita de forma imposta ou decreta, acontece de forma natural, na tomada de decisões de forma conjunta e justa.

Exemplos de Gestão Escolar Participativa

Agora que você sabe do que se trata a gestão escolar participativa e por que deve contribuir com ela, é a hora de saber como implementá-la na instituição de ensino em que você trabalha (ou estuda, a participação dos alunos também é muito importante).

Conheça algumas ações que podem ser feitas para introduzir a gestão escolar participativa na sua instituição de ensino:

Estimular debate saudável antes de tomar decisões: É muito comum que apenas um segmento de um local tome alguma decisão que afete demais pessoas e segmentos. Na escola, isso não é diferente. Geralmente, o segmento que toma as decisões mais importantes é a direção.

Por isso, em uma gestão escolar participativa, é interessante que os demais segmentos participem, não necessariamente da tomada de decisões, mas do debate para ver qual decisão agradaria e qual traria mais benefícios a todos os afetados.

Além disso, é importante mostrar aos alunos como um debate, feito de forma saudável, pode ser muito bom para os eles, não só na vida acadêmica, a vida pessoal deles também muda consideravelmente. Isso acontece porque os alunos aprendem, na prática, como funciona um espaço democrático, que ouve todas as vozes e respeitam as diversas opiniões.

Invista no trabalho em equipe: Em uma gestão escolar participativa, a palavra-chave é a união. Qual a melhor forma de unir as pessoas do que um trabalho em equipe?

Os alunos também conseguem lidar com suas diferenças e se unir para lutar por um mesmo objetivo e eles aprendem que, na vida, você precisará se unir a pessoas — independentemente de possuírem gostos ou hábitos similares aos seus — para algum propósito, seja algum trabalho acadêmico ou profissional.

Relação da escola com a comunidade: Para ter sucesso na participação da gestão escolar, a relação da escola com a comunidade deve ser boa, frutífera. Quando a escola não dá abertura para a comunidade se aproximar e se envolver, fica muito difícil criar esse vínculo de participação.

Adote medidas para aproximar sua instituição de ensino da comunidade em que ela está, como encontros, festas, palestras, etc. O segredo é tornar a escola mais do que um local de ensino e, sim, um espaço de conveniência para a comunidade.

Clima de confiança: Relacionando com o tópico anterior, é preciso também haver confiança, porque as pessoas não participam de um projeto quando não confiam neles. Fortaleça ou estabeleça uma relação de confiança com seus funcionários, alunos e comunidades e a participação nas pautas surgirá naturalmente.