o que é gestão?

“Todas as escolas devem ter sistemas que as ajudem a criar condições para os funcionários e os alunos trabalharem efetivamente juntos. Todo mundo aprecia metas simples, claras e processos eficazes. Os sistemas escolares fornecem e comunicam eficazmente as regras do jogo para todos. Eles garantem uma medida de consistência na abordagem e ação em toda a escola.” (IN: Kiwi Leadership for Principals – Tradução livre)

O que é gestão escolar?

Gestão pode ser entendida como a busca da participação coletiva em determinada circunstância, minimizando a hierarquia e o poder individualizado.

Segundo Heloísa Lück, “o conceito de gestão está associado ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos”.

Admitindo tal conceito, é evidente que a gestão escolar engloba diferentes aspectos simultaneamente, tais como: pedagógico, financeiro, estrutural e relacionamentos interpessoais, além das constantes e céleres mudanças socioculturais, que não permitem uma administração centralizada. É preciso dividir as responsabilidades e decidir coletivamente, sejam ações ou objetivos.

Tipos de gestão escolar

1. Gestão pedagógica: É responsável por instituir objetivos para o ensino-aprendizagem, propor metas para a concretização das propostas pedagógicas e sua avaliação.

2. Gestão de recursos humanos: É responsável por gerir pessoas (alunos, professores e comunidade escolar em geral).

3. Gestão administrativa: É responsável pela parte estrutural da escola, pela parte burocrática da instituição, pelos direitos e deveres de todos os agentes da unidade e cumprimento do regimento interno escolar.

Modelos de gestão no cenário educacional brasileiro

1. Técnico-científico: Educação voltada exclusivamente para o mercado de trabalho, com influências nítidas no modelo de produção taylorista/fordista e da psicologia behaviorista.

2. Autogestão: Caracteriza-se pelo poder coletivo na escola. As decisões são deliberadas a partir de assembleias e reuniões, eliminando-se todas as formas de autoridade e de poder individualizado.

3. Interpretativo: Caracteriza-se por priorizar a subjetividade na análise dos processos de organização e gestão. Contrapõe-se radicalmente à gestão técnico-científica.

4. Democrático: Pressupõe a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar, articulando-se através da figura do diretor. São três os princípios da gestão democrática: descentralização (a administração, as decisões, as ações devem ser elaboradas e executadas de forma não hierarquizada), participação (devem participar todos os envolvidos no cotidiano escolar) e transparência (as decisões devem ser de conhecimento de todos).

Os desafios da gestão escolar

Além de lacunosa, a formação para diretores escolares no Brasil é deslocada da realidade, e acaba não capacitando o profissional para os desafios de gerir uma escola. Isto afeta tanto à rede pública quanto à rede particular de ensino. Segundo Heloísa Lück, os cursos ofertados em nível de especialização não apresentam tal caráter, mas sim pela generalização de conceitos e teorias.

1. Seleção

Um dos maiores desafios da gestão escolar é a seleção dos diretores. Muitas vezes os ocupantes do cargo são escolhidos por indicação política. Ainda que altamente desaconselhado, esse método é a base para escolha de diretores em 40% das escolas municipais do país, segundo o Ministério da Educação.

A eleição é a forma mais realizada. Por mais que permita a participação da comunidade, é um método falho em garantir a competência do escolhido, já que não costuma ser acompanhado de provas que testem as competências dos profissionais. O concurso público é o mais próximo dos sistemas internacionais de captadores de líderes para as escolas.

2. Fiscalização

Ausência de mecanismos que ajudem a avaliar o trabalho dos diretores. Especialistas concordam que o desempenho de uma escola não depende só da atuação do diretor, mas também da equipe e das condições materiais das escolas, que são precárias no Brasil.

3. Apoio da comunidade

A gestão de uma escola engloba uma complexidade de aspectos difíceis de equilibrar, especialmente quando faltam recursos. No Brasil, muitas escolas da rede pública funcionam em regiões socioeconômicas vulneráveis, o que aumenta o desafio dos diretores, que dependem muito do apoio da comunidade local.

Como mudar o cenário da gestão escolar brasileira?

Uma iniciativa implementada em 2003 em Nova York causou uma reviravolta nos índices de aprendizagem nas escolas da cidade. Depois da criação da Academia de Lideranças de Nova York para diretores das escolas, o rendimento – em Inglês e Matemática – de alunos de instituições que estavam abaixo da média melhorou e se nivelou com o de outras boas escolas.

A iniciativa foi apresentada em São Paulo, em 2012, por Irma Zardoya, presidente da academia. Seguindo os meios de seleção empresariais, a academia implantou um recrutamento semelhante aos programas de trainee de multinacionais. Os novos diretores só assumem a posição após 14 meses de treinamento, com simulações de situações reais do cargo. Aqueles que não forem considerados aptos podem ser dispensados.

Gestão Escolar: o ciclo de melhoria contínuo

O ciclo de melhoria contínuo é um sistema relativamente simples de ser aplicado. Baseia-se na análise e tomada de decisões estratégicas, conduzindo ao desenvolvimento dos estabelecimentos educacionais.

Através do fortalecimento dos processos de gestão institucional e pedagógica, é possível gerar as condições que permitam garantir o cumprimento do Projeto Político Pedagógico.

É preciso saber renovar e adaptar o método de gestão escolar escolhido às eventuais mudanças. Para garantir um desempenho consistente, existem quatro pontos que devem ser observados – e ajustados, se necessário – regularmente:

1. Diagnóstico Institucional: Inclui dimensionamento, autoavaliação e evidências.

2. Elaboração do plano de melhoramento: Após o diagnóstico fornecido pela etapa anterior, deve-se criar um plano focalizado e compreensivo, capaz de reforçar as áreas deficitárias e enfatizar aquelas que impactaram efetivamente na melhor da gestão institucional.

3. Avaliação externa: Tal processo conta com a participação de dois profissionais certificados pelo Conselho Nacional, contemplando um prazo de cinco dias úteis.

4. Certificação de qualidade: Uma vez concluídas as etapas anteriores, os avaliadores fazem um relatório que descreve o nível de presença e desenvolvimento dos sistemas de gestão, considerados no padrão, baseado em evidências verificáveis da gestão. Em seguida, o relatório é analisado pelo Conselho Nacional, que realiza uma revisão e comunica à instituição o resultado, incorporando e publicando, paralelamente, no registro público de estabelecimentos certificados.

Fontes
Gazeta do povo | Educação integral | Brasil escola